As Panteras: Vol 27 Preferencia Nacional - Fab Magalhaes-vanessa Rossi

Publicado em um período de acirramento de debates sobre imigração e políticas de identidade, o volume dialoga com movimentos sociais contemporâneos. A obra funciona como comentário sobre leis e discursos que buscam definir "nacionalidade" de forma excludente, conectando-se a discussões acadêmicas sobre neoliberalismo e cidadania.

Os fãs mais puristas podem se perguntar: "A essência de Magalhães se perdeu?" A resposta, após a leitura, é um retumbante não. Pelo contrário, Rossi amplificou os pontos fortes do criador. Publicado em um período de acirramento de debates

Em uma entrevista recente, Fábio Magalhães declarou: "Vanessa entendeu as Panteras como eu nunca vi

"Vanessa entendeu as Panteras como eu nunca vi ninguém entender. Ela acrescentou uma camada de vulnerabilidade às personagens. Na minha mão, elas eram invencíveis. Na mão dela, elas são humanas. E ver uma humana lutando é muito mais interessante do que ver uma deusa." O principal destaque do Vol

O principal destaque do Vol. 27 é a sequência de 8 páginas sem diálogos, onde a Pantera Carla invade a sede de uma facção rival. Rossi usa ângulos de câmera inspirados em filmes de Wong Kar-wai, com sombras cortadas e close-ups nos olhos das personagens. É um tour de force narrativo que prova que quadrinhos são, antes de tudo, arte sequencial.


Para entender a magnitude do Vol. 27, é preciso contextualizar o que "As Panteras" representa no cenário dos quadrinhos brasileiros. Lançada no final dos anos 90, a série acompanha um trio (e ocasionalmente quarteto) de agentes secretas que trabalham para uma agência governamental enigmática. Diferente das produções sanitizadas de Hollywood, as Panteras de Magalhães são cheias de arestas: são cínicas, sensuais, violentas e patriotas de uma forma complexa.

Ao longo de 26 volumes, vimos as personagens enfrentarem desde ditadores tropicais até conspirações alienígenas. Mas o que sempre manteve a série relevante foi a coragem de Magalhães em abordar temas como a Ditadura Militar, a corrupção política e as desigualdades sociais, tudo isso misturado com cenas de tirar o fôlego e um erotismo que beira a arte.